CAIÇARA, UM POUCO DE HISTÓRIA.



Vamos tratar da história de Caiçara, não só do município que conhecemos hoje, mas de uma área que incluía Logradouro, Belém, Serra da Raiz, Duas Estradas, Lagoa de Dentro e, é claro, Caiçara. Veremos que nossa história é tão ou mais interessante do que a de outros lugares que estudamos.

Pra começar, não teremos, no início, estas cidades e sim uma terra de índios chamada CUPAÓBA. Nela viviam os índios Potiguares e, do outro lado do Rio Curimataú, os Tapuias, eles geralmente viviam em paz.

Só que depois de “descobrir” o Brasil, os portugueses queriam se apossar da terra. Por outro lado, outros povos invadiram nosso território. Assim, foram os invasores franceses os primeiros a chegarem por aqui e se aliarem aos Potiguares. Foi complicado para os portugueses conquistarem a Cupaóba, foram 25 anos de guerras (1574 a 1599) e só venceram com o apoio dos Tabajaras, índios que vivam mais no litoral.

Depois da conquista, veio a colonização, foi quando o governo deu terras para que os portugueses viessem morar por aqui, essas terras se chamavam sesmarias. Em 1619, Raphael de Carvalho recebeu a sesmaria de número 13 da Capitania da Paraíba, era onde iria surgir Caiçara. Assim, ele, um morador ou um parente seu, foi o primeiro branco a morar por aqui.

Quando os holandeses invadiram parte do Nordeste e os Potiguaras se aliaram a eles, parou a distribuição de terras por algum tempo. Depois veio a revolta dos índios Cariris, que incluía os Tapuias. Entre 1625 e 1690 ninguém queria vir para cá com medo dos índios. Com a retomada, em 1706 já havia uma certa ocupação desta região.

Alguns desses novos proprietários criavam gado e o vaqueiro foi importante para ir conhecendo a região, iam cada vez mais longe atrás do gado, construíam abrigos e assim iam desbravando a região. Registre-se também José de Abreu Cordeiro, grande proprietário de terras da Serra da Raiz, que era dono dessas terras em 1776 e muito contribuiu para seu povoamento.

Mas só podemos considerar fundada uma cidade quando se percebe uma certa organização e a idéia de ficar e fazer prosperar esta terra. Isso só se deu em 1822, quando Manoel Soares da Costa e seu cunhado José Vicente fizeram suas casas de fazenda, seus currais de pau-a-pique e uma capela, no mesmo lugar onde hoje é a nossa igreja católica.

Porém, o que tínhamos até aí era um sítio perto de um rio. O que fez essa terra se desenvolver foi o comércio. Este sítio se tornou caminho dos tropeiros ou almocreves que vinham da feira de Mamanguape para a de Anta Esfolada (que cidade é essa?). Como a feira de Anta Esfolada era na segunda, no domingo eles se encontravam por aqui e isso atraia o pessoal que podia comprar coisas sem ter que andar tanto.

Anos depois foi crescendo a idéia de se fazer uma feira aqui no domingo, só que os senhores de engenho da Serra eram contra por que o pessoal ia deixar de comprar em seus armazéns. Mas mesmo sob ameaça, a feira começou a se realizar em 1841. Mais um passo para nosso crescimento.

Como vimos, o povoado de Serra da Raiz é mais antigo que o nosso e dependíamos muito dele. Porém, começaram a surgir lideranças por aqui que queriam ver Caiçara independente, só que as lideranças da Serra não concordavam e faziam de tudo para atrapalhar o processo.

Aos “trancos e barrancos” nossas lideranças conseguiram a aprovação da Lei da Emancipação. Assim, em 6 de dezembro de 1883, Caiçara tornou-se município.

Porém, como alegria de pobre dura pouco, 10 meses depois, os políticos da Serra botaram abaixo a tal lei. Foram precisos mais 24 anos para que nossas lideranças conseguissem novamente restaurar o município, o que se deu em 7 de novembro de 1908, é essa data que comemoramos. Nosso 1º prefeito foi uma dessas lideranças: Antonio Florentino da Costa Miranda, pai do nosso ilustre Dr. Waldemir Miranda.

Um fato importante acontecia também no início do século passado, a estrada de ferro chegou a Logradouro, dando impulso para que um arraial surgido de uma fazenda de gado se desenvolvesse. Em 1935 veio a indústria do algodão que contribuiu para o desenvolvimento de toda a região.

A Caiçara original incluía Belém, Duas Estradas, Lagoa de Dentro, Serra da Raiz e Logradouro. Porém, na década de 50, houve uma campanha de municipalização no país e o território de Caiçara foi dividido, restando-lhe apenas a vila de Logradouro, que veio a se municipalizar em 29 de abril de 1994.

O NOME

Há dúvidas quanto a origem do nome da nossa cidade: “Caiçara” é o nome dado ao morador de beira de praia, por nossa cidade ter surgido às margens e um rio pode vir daí; “Caiçara” também é o nome de um tipo de cerca que os índios faziam, pode ter sido uma forma de trincheira que eles fizeram por aqui no tempo das Guerras da Cupaóba. As “Caiçaras” era o nome pelo qual chamavam os currais de pau-a-pique de Manoel Soares da Costa, nosso fundador. O mais provável é que tenha sido a cerca de índio e que os currais já foram apelidados assim por causa da cerca.

Em 1872, o Padre Ibiapina passou por aqui e sugeriu que se mudasse o nome para Marianópolis, só que o povo não aceitou a homenagem a nossa padroeira. O mesmo padre sugeriu que “Gengibre” mudasse para Belém, que Serra da Raiz fosse Jerusalém, que Anta Esfolada virasse Nova Cruz, isso é que é gostar de dar nome! Mas a voz do povo é a voz de Deus. Houve também uma época que quiseram mudar o nome de Logradouro para Humaitá, nada feito.

- É claro que o assunto não para por aqui, a intenção deste resumo é despertar seu interesse. Pesquise, leia, pergunte a pessoas idosas, elas são registros vivos do nosso passado.



Prof. Jocelino – 1999.