O Hino que conta nossa História

CAIÇARA - O HINO QUE CONTA NOSSA HISTÓRIA.

Já lemos sobre nossa história no livro "Caiçara... caminhos de almocreves"(Severino Ismael da Costa, 1990) ou no resumo "Caiçara, um pouco de história"(Prof. Jocelino/1999), ouvimos nossa história pelo rádio(Caiçara pelo Rádio – FM Cidade Marquesa, Sérgio Neves e Prof. Jocelino/2003), a vimos representada em desfile cívico (Rede Municipal/2003), a assistimos como peça de teatro(Caiçara da Aldeia à Cidade – Grupo Senhora e Rainha/2005), agora é hora de cantá-la, iniciando a contagem regressiva para o nosso centenário.
O Hino à Caiçara, tem música do nosso grande maestro Joaquim Pereira e letra do Professor e escritor Severino Ismael de Costa. O Prof. Severino não se preocupou apenas de fazer um hino para homenagear nossa cidade, ele quis registrar nossa história através dele e o fez com muita competência, é o que vamos ver agora ao analisarmos, resumidamente, trecho por trecho, esta obra:
"Entre o luso, o Tapuia e o Tupi"
Bom, "luso" é outra forma de chamarmos o português que, como todos nós sabemos, foram os nossos colonizadores e, embora os piratas franceses tenham chegado por essa região antes dos portugueses e se aliado aos índios iniciando o tráfico de pau-brasil, foram os portugueses que mais se destacaram no nosso povoamento. O "Tapuia" é um tipo de índio na Nação Cariri que dominavam terras do outro lado do Rio Curimataú, lá no comecinho da nossa história (tem até hoje um sítio com esse nome). A Nação Tupi-Guarani era predominante nessa região, os Potiguaras eram Tupis e eram eles que vivam nessa região e mais ainda no Rio Grande do Norte, onde até hoje é chamado de Potiguar, quem nasce por lá.
"A centúria de guerras cruentas"
A conquista dessas terras se deu através de muita luta porque os Potiguaras eram muito valentes, os franceses armavam eles e a chamada Serra da Cupaóba era de difícil acesso, principalmente para as tropas portuguesas que não a conheciam. Assim, depois da paz ser quebrada com o chamado Massacre de Tracunhaém, as chamadas Guerras da Cupaóba (1574 a 1599) foi um dos episódios mais sangrentos da conquista da Paraíba. Depois ainda teve as invasões dos holandesas, que também fizeram acordos com os índios e tentaram impedir o povoamento pelo português e a chamada Confederação dos Cariris(1648), que provocou a revolta de várias tribos, entre elas os Tapuias. Assim, foram realmente quase 100 anos, ou seja, uma centúria, de guerras nesse pedaço do Brasil.
"São apenas lembranças aqui/dentre séculos de paz que levantas"
Realmente, apaziguada a situação, infelizmente a custa do massacre dos índios, a paz, de certa forma, reinou. Foi realizada a distribuição de sesmarias (grandes pedaços de terra) e os brancos começaram realmente a vir morar por estas bandas e mesmo com pequenos conflitos que ocorreram durante nossa história, foram séculos de relativa paz após a consolidação da conquista.
Estribilho(refrão)"Numa prece de amor que rezaste /O! Caiçara ordeira e gentil/ da Cupaóba as fraldas doaste/ à Paraíba heróica e viril,/ um presente de Deus que entregaste ao progresso da Pátria Brasil"
O Prof. Severino nos fala da catequização dos nossos índios pelos padres jesuítas que chegaram após a conquista, fala de nossas características de povo ordeiro e gentil. Caiçara veio a se formar realmente nas fraldas, ou seja, nas bordas, da Serra da Cupaóba, essa região que na língua dos Potiguaras significa "... o que ao longe se estende..." envolve a área que atualmente estão vários municípios da nossa região e foi palco das guerras que já falamos. Foi na Cupaóba que a Paraíba se mostrou heróica e viril e como era um dos últimos pedaços a serem conquistados dessa parte do nosso país, foi um pressente nosso para o progresso do Brasil.
"Das conquistas os marcos conservas/ entre as trilhas do bravo gentio"
Não é á toa que nossa rádio comunitária é chamada "Cidade Marquesa" pois Caiçara é detentora dos marcos que "marcam" a divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Esse território de Caiçara foi delimitado através das trilhas que os nossos índios, bravos gentios, usavam.

"... e caminhos tropeiros preservas/ a banhar-se nas águas do rio"
Essa região tornou-se passagem de tropeiros, ou almocreves, que iam com suas tropas de burros de feira e feira e, neste caso, vinham das feiras de Mamanguape e Guarabira em direção a feira de Anta Esfolada (antigo nome de Nova Cruz) e passavam por aqui. O Rio Curimataú também teve um papel importantíssimo na nossa história. Caiçara só surgiu neste lugar por causa do rio, em um tempo onde o acesso a água era mais complicado, fazia-se o possível para morar perto de uma fonte tanto para se abastecer como para a criação dos animais. Além de ter sido importante para os fazendeiros, o rio foi fundamental para os tropeiros que nele se banhavam, matavam sua sede e de seus animais. Viva o Rio Curimataú!!!
"Da riqueza agro e pastoril/ de um povo bravo, hospitaleiro"
Retomemos um pouco à história: nas primeiras propriedades foi praticada a agricultura e, principalmente, a criação de gado. Os fazendeiros mostravam-se determinados a fazer crescer essa terra, enfrentando bravamente as dificuldades que surgiam naqueles tempos. Os fazendeiros eram também gentis com os tropeiros que por aqui passavam, chegando a dar-lhes hospedagem. Um desses fazendeiros foi um certo Manoel Soares da Costa que juntamente com sua esposa Gertrudes Maria, seu cunhado José Vicente e seus trabalhadores comprou estas terras em 1822 e além de construírem por aqui suas casas de fazenda, construíram currais de pau-a-pique e uma capela, no mesmo lugar onde está nossa Igreja Católica hoje, foi a fundação de Caiçara.
"o teu nome traduz qual buril, /no curral que abrigou o tropeiro"
Agora, o Prof. Severino nos fala do nome da nossa cidade. "Caiçara" era o nome de um tipo de cerca indígena. Porém, os currais de pau-a-pique de Manoel Soares passaram também a ser chamados de "Caiçaras". Imagino os tropeiros dizendo: "estamos chegando nas Caiçaras de Manoel Soares", o nome pegou. Esses currais abrigavam os tropeiros e pessoas vinham das redondezas fazer compras a eles aqui por que era mais barato do que nos barracões dos senhores de engenho da Serra da Raiz e para evitar de ir até a feira de Anta Esfolada. Disso surgiu a idéia de fazer uma feira aqui no domingo, o pessoal da Serra foi contra e tentaram impedir, mas mesmo assim nossa feira começou em 1841.
"Marianópolis é o nome que a fé nos brindou para nossa alegria"
Desde a construção da capela ela foi dedicada a Nossa Senhora do Rosário e ao visitar nossa cidade, por volta de 1870, o Padre Ibiapina sugeriu que mudássemos o nome da vila para Marianópolis, porém os moradores já estavam acostumados com "Caiçara", também alegavam que o nome também representava nossa história, e não aceitaram. O Padre Ibiapina também sugeriu que Gengibre mudasse para Belém, Serra da Raiz para Jerusalém e Anta Esfolada para Nova Cruz.
"... que todos, de joelho ou de pé, / rendem Graças à Virgem Maria."
A religiosidade do caiçarense é novamente lembrada encerrando o Hino. A devoção como nos vimos vem desde o começo. Por volta de 1870, o templo passou por uma reforma para receber uma imagem de Nossa Senhora do Rosário vinda diretamente de Portugal. A imagem chegou no Porto de Salema, em Mamanguape e foi buscada por uma procissão de caiçarenses, sua chegada se deu em 06 de janeiro, a partir daí se comemorou sua festa, na mesma data que a Igreja comemora Santos Reis, essa tornou-se a maior festa da nossa cidade.
Bom, falando um pouco mais de história, nessa época os moradores da vila de Caiçara já se mobilizavam para conseguir a separação de Serra da Raiz, assim, em 6 de dezembro de 1883, nossa vila passou a ser cidade. Porém, os políticos da Serra conseguiram derrubar a lei 10 meses depois e Caiçara voltou ser vila. Foram precisos mais 24 anos para conseguir a restauração, que foi encabeçada por Antonio Florentino da Costa Miranda (pai do Dr. Waldemir Miranda) e conseguida em 7 de novembro de 1908, com "Tota Miranda" sendo nosso 1º prefeito. É essa data que comemoramos hoje, 98 anos depois, e uma das formas de celebrá-la é cantando e divulgando o nosso hino que é uma verdadeira aula. Valeu Prof. Severino!!! Parabéns Caiçara!!!


Prof. Jocelino – 23/10/2006.