No ano de 1925 a tradicional Festa da Padroeira foi abrilhantada pela Banda de Música da Policia Militar da Paraíba e Joaquim Pereira, passou a executar o seu clarinete, sendo elogiado por todos os músicos da banda, que ficaram impressionados com a desenvoltura daquele rapaz. O menino tinha futuro, pensavam todos, porém teria que ir para a Capital, onde as oportunidades de aprimorar os seus conhecimentos seriam maiores. Na ocasião, o Mestre da Banda João Artur, contactou com o pai de “Quinca”, revelando o seu interesse de levá-lo para a Capital, onde seria contratado como arquivista, e, convivendo com o pessoal da Banda, iria desenvolver o seu aprendizado, José Faustino, a princípio relutou muito em permitir a viagem, pois não admitia a hipótese de se separar do seu único filho homem e seu ajudante no trabalho de marcenaria. Aconselhado pela esposa e pelos amigos, terminou cedendo. Com essa decisão, perdeu-se um marceneiro, mas surgiu um extraordinário músico e compositor.

Em 1933, ingressou no serviço militar, tempos depois passou a ser regente da Banda de Música do 15º Regimento de Infantaria da Paraíba. Ao lado de outros companheiros, participou ativamente da criação da Orquestra Sinfônica da Paraíba, fundada em 1945. Joaquim foi por muitos anos regente titular da orquestra do nosso estado e foi também um dos compositores dos arranjos do Hino Oficial da Paraíba. Em 1951, foi promovido e transferido para o Rio de Janeiro para tornar-se regente da Banda de Música da Academia Militar das Agulhas Negras, a mais famosa do Brasil na época. Regeu a Orquestra Sinfônica Brasileira em duas programações de Independência do Brasil.
Joaquim pereira durante sua vida escreveu centenas de músicas, deixando uma obra composta de dobrados, músicas eruditas, valsas, hinos(inclusive o nosso), boleros, chorinhos e músicas para orquestras de cordas, estima-se que durante sua vida compôs em torno de quinhentas músicas. Seu dobrado “Os Fragelados” é executado em todo o Brasil e também por bandas de outros países. Foi tido pela crítica musical como um dos maiores compositores de dobrados do Brasil e o maior Mestre de Música da Paraíba. Faleceu em 28 de abril de 1993 devido a problemas cardíacos.

Assim, as bandas sempre fizeram parte da nossa história, era tradição assistir apresentações no coreto que havia em frente a igreja. No período em que ficamos sem bandas oficias, a Igreja sempre trazia bandas de cidades circunvizinhas e até da capital do estado e, como não podia arcar com as despesas sozinha, pessoas da sociedade ofereciam suas casas para hospedar os músicos, ficava cada um numa casa. Muitas das bandas tradicionalmente se apresentavam nas Festas de Reis como as das cidades de Cuité e Picuí nos anos 60 para os anos 70 e, nos anos 80, foi frequente a Banda 15 de Novembro, de Serra da Raiz, Sob a regência de José Pereira, com destaque para Felipe(irmão de D. terezinha). No ano de 1962, o Sr. José de Arnaldo, sobrinho-neto de Minervino, que havia voltado do Rio de Janeiro depois de servir ao exército, ainda encontrou os instrumentos da antiga banda na prefeitura e, numa brincadeira de carnaval, de surpresa, saiu tocando pelas ruas com uma banda improvisada, passando até no sítio onde Joaquim Pereira se encontrava, fazendo-o rir muito. Começava também a sua luta, junto com seu irmão Pedro, que estudou música na escola técnica de João Pessoa, para que Caiçara tivesse novamente uma banda. Foi no Ginásio Comercial, que existia onde hoje é o Fórum, na época sob a direção do Dr. Wilson Pessoa da Cunha, que com recursos próprios e da Fundação Padre Ibiapina, que foi formada uma banda marcial, nos anos 60, tendo a frente os irmãos Pedro e José de Arnaldo e também Elias Venâncio, a banda teve várias formações, tinha poucos instrumentos, acaba e era novamente remonta, foi também incentivada na época em que Jurandir Carneiro era diretor do Ginásio, já nos anos 70, quando destaca-se também Jaime Xavier. A banda não chegou a se apresentar em festividades como a de Reis, apenas eventos cívicos. Seus componentes eram estudantes do Ginásio como por exemplo Doca e Gabriel de Pedro Santana, Jessé, Gilberto Liberato(Bel), Edvaldo de Luiz de Luquinha e muitos outros. Nos anos 80, na adm. de Pedro Alves, foi formada uma banda marcial, sob o comando de Chico(casado com Ana de Edite) e no Colégio Estadual Profª Mª Gertrudes de Carvalho Neves, na direção de George Neves, formou-se outra sob o comando dos instrutores Jailson Vieira e Prof. Cizinho, depois assumida por Prof. Manoel Barbosa (Neto), esta banda depois passou a ser fanfarra, foi reestruturada várias vezes, tendo encerrado suas atividades em 2003, havendo planos do atual diretor Alex Carneiro de reestruturá-la. Mas a tradição e a vontade daqueles que têm a música nas veias aflorou com mais força e Caiçara tornou-se uma das raras cidades de interior a possuir, atualmente, 2 bandas.


