De Marceneiro a Maestro-4

De marceneiro a maestro
Parte IV
No ano de 1987, a Academia de Poesia da Paraíba por decisão unânime dos seus membros, resolveu conceder ao músico e compositor, o titulo de sócio honorário daquela Casa de Cultura, mesmo sem que o músico jamais tivesse escrito um único verso. A poetisa Rosicler Rabelo Dias, ao discursar, justificou a homenagem, dizendo: “A musica é irmã gêmea da poesia. Idênticas na harmonia na suavidade dos sons, combinando de maneira agradável e graciosa, que comove e nos eleva a Deus. Esse é o motivo do maestro Joaquim Pereira, ter sido convidado para esta casa de poesia”. Ainda, no mesmo ano de 1987, a Prefeitura de Caiçara, organizou a Primeira Festa das Personalidades do Município, com o objetivo de homenagear os filhos daquela cidade, que se destacaram nas diversas áreas profissionais, elevando nome daquele município, tendo Joaquim Pereira, sido um dos homenageados, oportunidade em que para satisfação dos seus contemporâneos, regeu a banda de musica do 15º B.C., cujos componentes fizeram questão de participar do evento e também homenagear o seu antigo mestre.
Já em 1990, quando do lançamento do livro, Caiçara... Caminhos de Almocreves, de autoria de Severino Ismael da Costa, a Prefeitura além de homenagear o autor do livro, prestou também comovente homenagem a Joaquim Pereira, autor do hino daquele município, tendo naquela ocasião o maestro mais uma vez, por deferência do titular, regido a banda de musica do 15º B.C. Na ocasião, o músico foi saudado pelo seu conterrâneo, Promotor de Justiça, Jorge Ismael da Costa, que enalteceu as qualidades do maestro dizendo ser o mesmo, motivo de orgulho para o povo de Caiçara, por brilhar no cenário nacional e até internacional, dignificando assim, a terra em que nasceu.
Ainda em vida, Joaquim Pereira teve oportunidade de saber que algumas de suas composições por deferência do ilustre maestro José Siqueira, também paraibano, haviam sido incluídas na programação da Orquestra de Câmara do Brasil, pois José Siqueira admirado com as qualidades das composições revelou ao musicólogo Domingos de Azevedo Ribeiro, que era sua intenção difundir maciçamente no exterior, as musicas de Joaquim Pereira, o que infelizmente não ocorreu, já que José Siqueira, logo depois veio a falecer.No inicio dos anos 70, foi criada uma comissão visando tornar hino oficial da Paraíba a composição de Abdon Milanez e Aurélio Figueiredo, tendo José Siqueira, sido convidado para fazer a instrumentação da musica para o piano e Joaquim Pereira para fizer a instrumentação para banda de musica, surgindo, pois a partir dessa data, profunda amizade entre ambos, por conta desse período de convivência na realização do importante trabalho.
Por mais de uma vez, o maestro foi homenageado pelo Centro de Documentação e Pesquisa Musical – José Siqueira, localizado na Fundação Espaço Cultural, sendo bastante lembrado o evento de comemoração dos seus 80 anos de idade, ocasião, em que foi montada uma exposição fotográfica da sua vida profissional, tendo na oportunidade, o mesmo, a pedido dos presentes, regido a banda de musica do 15 B.C.
Joaquim Pereira se dizia um homem muito feliz, pois vivia cercado de amigos que constantemente lhe prestavam as mais diversas homenagens, em que pese que o mesmo julgasse não merecê-las, porém mesmo assim, constantemente era alvo de matérias jornalísticas, plaquetas e livros, tendo o musicólogo Domingos de Azevedo Ribeiro, publicado sob os auspícios da Secretaria de Educação e Cultura, um trabalho, dizendo sobre o maestro: “Joaquim Pereira é considerado como um dos maiores compositores de dobrados do Brasil, ele é merecidamente o nosso mais festejado mestre de musica. Os temas de suas composições são sempre delicados calcados na expressão e no encanto do sentimento da terra e nos costumes da nossa gente. Ele organiza a sua própria maneira de compor. Joaquim Pereira extrai de si mesmo o que compõe”.
Já no ano de 1991, a Orquestra Sinfônica Jovem da Paraíba, realizou no Cine Bangüê no Espaço Cultural um concerto com compositores de fama internacional, tendo o músico paraibano o privilegio de ter sido incluído na programação, com a sua musica “Romance sem Palavras”. Porém de todas as homenagens que o maestro recebeu em vida, com certeza a que mais o marcou, foi a presença da Banda de Musica do 15 B.C., todos os anos, no dia do seu aniversário, quando o mesmo era despertado com a musica “Parabéns pra Você”, numa homenagem das mais espontânea e sincera, já que Joaquim Pereira, por estar aposentado desde 1954, não tinha, nenhuma influência ou poder. Tal homenagem conferida a poucos mortais, perdurou por 39 anos, independente de quem fosse o regente da banda de musica, só parando com falecimento do musico.
No ano de 1993, o maestro Joaquim Pereira nos deixou, tendo a sua morte sido registrada por todos os veículos de comunicação do nosso Estado, tendo alguns cronistas da terra, escrito belíssimos e emocionantes artigos sobre o falecido maestro, tendo a sua morte sido registrada na Câmara Municipal de João Pessoa, por iniciativa do vereador Carlos Coutinho, que inclusive, apresentou um projeto de lei, dando o nome do musico a uma rua, bem como a dos colégios da municipalidade, sendo ambos os projetos aprovados e sancionados pelo, então Prefeito Chico Franca, lei relativo ao educandário que até hoje não foi cumprida, já que o nome de Joaquim Pereira não foi colocado em nenhum dos novos colégios do município. Outra homenagem prestada ocorreu por iniciativa do Deputado Tião Gomes, que apresentou projeto de Lei, dando o nome do maestro à rodovia PB/089, que liga Belém/Caiçara/Logradouro, tendo o projeto se transformado na Lei 6.080/95.