De Marceneiro a Maestro-3

De marceneiro a maestro
Parte III
Ao ser criada a Universidade Federal da Paraíba era muito comum se convidar para o corpo docente daquela instituição, profissionais que se destacavam nas suas áreas, eram os chamados “mestres”. Joaquim Pereira, convidado insistentemente para lecionar musica na instituição universitária, agradeceu o convite, alegando na sua conhecida modéstia, que não se sentia capacitado para importante mister.
Ao completar 50 anos de idade, o maestro definitivamente se afastou de todas as atividades musicais, abandonado assim, uma carreira brilhante, gozando da amizade e do respeito das autoridades e do povo do nosso Estado, optando definitivamente pelo recesso do seu lar e as freqüentes visitas que fazia numa bicicleta aos seus familiares, oportunidade em que munido de martelo e serrote, realizava pequenos reparos de marcenaria, voltando assim, a ser o marceneiro que na infância, havia deixado o oficio, pois agindo assim estava, quem sabe, recordando os felizes anos em que era aprendiz de marceneiro na sua querida Caiçara.
Mesmo reformado e, portanto, distante dos acontecimentos sociais e musicais, o maestro jamais foi esquecido pelos amigos e admiradores. No ano de 1971, recebeu da Câmara Municipal de João Pessoa, o titulo de Cidadão Pessoense, tendo e autor da proposta, vereador Pedro Alves da Silva, justificado a honraria, alegando ter o músico engrandecido o nome de nossa Capital e da própria Paraíba, já que o seu nome havia atravessado as fronteiras do nosso Estado e até mesmo do país.
Já em 1974, Joaquim Pereira, foi entrevistado pelo Museu da Imagem e do som, órgão de Universidade Federal da Paraíba, com o propósito de que suas declarações ficassem para a posteridade. No ano de 1975, atendendo pedido dos músicos do 15º Regimento de Infantaria, onde Joaquim havia trabalhado, quando era denominado 22 B.C., Cel. José Olavo da Costa, deu o nome de Joaquim Pereira, ao salão de musica daquela unidade militar.
Já no ano de 1976, atendendo convite das freiras do Colégio das Neves, o músico participou das comemorações dos setenta anos de existência daquele educandário, regendo a Banda de Musica da Policia Militar, por deferência do então regente, bem com o coral do colégio. Naquela ocasião, o Professor Tarcisio Buriti, que viria governar a Paraíba, ao fazer uso da palavra, revelou que em visita que fizera a Dinamarca, ao passear por uma praça, ouviu emocionado uma banda de musica daquele país, executar o dobrado “Os Flagelados” de Joaquim Pereira, tendo a declaração provocado emoção no público, que delirantemente aplaudiu o velho maestro. Ainda sobre “Os Flagelados”, o professor Osvaldo Meira Trigueiro, ex-dirigente da Fundação Espaço Cultural, revelou que no ano de 1979, se encontrava estudando na Venezuela, onde conheceu um cidadão, que gravou apenas o seu sobrenome, Salvaterra e que ao visitar a residência do mesmo, foi informado pelo anfitrião, de que no passado, havia servido a Marinha dos Estados Unidos e que iria colocar para tocar um disco que havia trazido daquele país e que tinha um belíssimo dobrado, de autoria de um brasileiro. Tão logo ecoaram na sala os primeiros acordes da musica, o visitante se deu conta, de que já conhecia a composição, emocionado ouviu do seu anfitrião, que a musica era “Os Flagelados”, e o nome do seu autor constante da capa do disco, era apenas J. Pereira, ou seja, o compositor tinha, uma de suas musicais gravada nos Estados Unidos, sem que jamais houvesse autorizado.
No ano de 1980, o aniversário do maestro, for registrado nos anais da Assembléia Legislativa da Paraíba, pelo então Deputado Lourival Caetano, que ao destacar as qualidades do homenageado, escreveu: “Musicalmente é a maior glória da Paraíba e uma das maiores expressões da musica erudita, clássica e marcial do Brasil”. O seu nome está inscrito nas paginas de todos os compêndios que falam sobre musica, com os seus dobrados fazendo parte, de todos os repertórios de bandas de musica e orquestra especializadas no Brasil e no exterior, digno e merecedor das homenagens que lhe sendo prestadas pelos seus 70 anos de vida, dos quais mais de 55 dedicadas a musica com inteligente criatividade.
Ainda no inicio dos anos 70, o maestro recebeu correspondência da banda municipal da cidade de Jacareí e da corporação Musical União dos Artistas da cidade de Itú, ambas do Estado de São Paulo, solicitando autorização para gravar musicas de sua autoria. Tendo o mesmo prontamente atendido os pedidos, tendo a primeira banda gravado o dobrado “Oldano Pontual” e banda de Itú, gravado os dobrados “Recordações de Afonso” e “Agenor Sales”. Ainda na mesma época, a banda de musica do Batalhão Dom Pedro II, conhecido também por Batalhão do Imperador, sediado no Estado do Rio de Janeiro, gravou o dobrado “Os Flagelados”.
Já no ano de 1982, por ocasião das comemorações do aniversário da Policia Militar da Paraíba, o Estado patrocinou a gravação de um disco pela banda de musica, tendo sido incluída a musica “Os Flagelados”. Nos ano de 1985, o extinto Mobral, utilizando verba destinada a cultura e as artes, resolveu em comemoração ao IV Centenário da Paraíba, gravar um disco, só com composições de Joaquim Pereira, tendo as musicas sido selecionados pelo próprio compositor, a pedido da então regente da banda do 15º Batalhão de Infantaria, Tenente José Leôncio de Souza Filho.