De Marceneiro a Maestro-2

Marceneiro a Maestro
Parte II
Paralelo a sua atividade como musico militar, Joaquim Pereira, dirigiu o coral do extinto Colégio Nossa Senhora das Neves, sendo de sua autoria o hino daquele educandário, que foi executado por várias gerações de alunas. Foi também professor de musica do extinto Colégio Lins de Vasconcelos, sendo também autor do seu hino. Dirigiu também o departamento de musica do tradicional Colégio Pio X, sendo de sua autoria o hino que homenageia o fundador da Congregação, Marcelino Champagnat. O maestro sempre muito atuante integrou por muito tempo a Orquestra de Salão da Radio Tabajara, sendo também o responsável pelos arranjos musicais das composições que iriam ser apresentadas nos diversos programas de auditório da emissora. Além das inúmeras atividades profissionais, o musico participava muito ativamente dos eventos realizados pela Igreja Católica, sendo autor de vários hinos sacros, destacando-se aquele que homenageia Santa Cecília, a Padroeira da Musica, bem como a composição, que o músico denominou de “Ave Maria de Pereira”.
Ainda na sua intensa atividade musical, o maestro juntamente com outros jovens membros da extinta Sociedade de Cultura Musical, reunidos no dia 04 de novembro de 1945, na sede da Associação Paraibana de Impressa, fundaram a Orquestra Sinfônica da Paraíba, tendo como primeiro regente o maestro Francisco Picado e como primeiro violino, Joaquim Pereira. A estréia da orquestra ocorreu no Cine Teatro Plaza, no dia 29 de maio de 1946. Joaquim Pereira teve o privilégio de ser o único compositor brasileiro, que teve uma de suas musicas “Quarteto em Sol Maior” ou “Prece Sonora”, como é mais conhecida, executada naquela memorável noite.
No ano de 1947, o maestro Francisco Picado, deixou a Sinfônica, sendo substituído pelo maestro Severino Gomes, porém, tendo em vista que tal músico deixou a Sinfônica, sem ter realizado nenhuma apresentação pública, sendo substituído por Joaquim Pereira, é o mesmo, considerado o segundo regente do citado conjunto musical.
Já à frente da Sinfônica, Joaquim Pereira apresentou no Cine Teatro Plaza, a sua composição “Sinfonia Triunfal”, musica que produziu em regozijo pelo sucesso da estréia da orquestra, que o maestro por ser um dos fundadores, tinha o maior orgulho, tendo juntamente com outros companheiros, lutado muito, para que a orquestra se tornasse realidade e chegasse aos nossos dias, deixando de atuar amadoristicamente, no ano de 1980, quando for oficializada, passando as expensas do Estado da Paraíba.
No ano de 1951, ao ser promovido ao posto de 2º tenente músico, o maestro paraibano foi nomeado para dirigir a banda de musica da Academia Militar de Agulhas Negras – AMAN, na cidade de Resende no Rio de Janeiro, tendo na sua despedida, recebido, significativa homenagem dos colegas da banda, que lhe ofertaram uma belíssima espada de oficial e a sua fotografia colocada no Salão de Musica, do 22º B.C.
Ao chegar à AMAN, o musico paraibano verificou que a banda de musica atravessava um dos seus piores momentos, já que o seu efetivo contava apenas com a metade do pessoal necessário. Porém, tão logo se espalhou a noticia, de que Joaquim Pereira era novo regente, começaram a chegar pedidos de militares de diversas regiões do País, desejosos de trabalharem sob a batuta do maestro paraibano, cuja fama como musico e compositor, já atravessara fronteiras. Em poucos meses, a banda de musica já estava totalmente reorganizada, tendo Joaquim Pereira, criado inclusive um coral, passando então a realizar apresentações públicas nas praças e colégios da cidade de Resende, tornando-se uma figura muito querida e respeitada pela população.
Na cidade de Resende, o musico continuou com a sua enorme capacidade para compor, escrevendo ali um grande numero de dobrados e outros gêneros destacando-se o dobrado “Gloriosa Academia Militar”, executado freqüentemente naquela escola de formação de oficiais do Exército. Ainda no Rio de Janeiro, Joaquim Pereira em evento musical realizado no Estádio Marck Clark, por deferência do ilustre maestro Eliazar de Carvalho, teve a honra e o privilégio, de reger por duas vezes, a Orquestra Sinfônica Brasileira, em programa alusivo as comemorações da Independência da Brasil, sendo sua regência bastante aplaudida pelo numeroso público presente ao Estádio, impressionado com a elegância e a desenvoltura do jovem maestro paraibano.
No ano de 1954, saudoso de sua terra natal, com apenas 44 anos de idade, solicitou a sua reforma do Exército Brasileiro, sob protesto de todos os seus superiores hierárquicos e dos seus colegas da banda, retornando para a Paraíba, onde se reintegrou as atividades da Orquestra Sinfônica, que naquele ano era regida pelo maestro italiano radicado na Paraíba, Rino Visane, com quem Joaquim Pereira, ficou se revesando no estrado regencial, iniciando-se a partir de então, intensa atividade da Orquestra em sucessiva apresentações, sendo bastante lembrado especialmente o concerto realizado no ano de 1956, denominado “Musicas dos Grandes Mestres” em que foram executadas musicas de consagrados compositores. Tais como: Bach, Haendel, Pinzarone, Haydn, Metra e Joaquim Pereira, com a sua composição “Romance sem Palavras”.